Revista Brasileiros, O Outro

Quantas referências sobre dividir o país rondaram sua volta após o segundo turno? O Brasil, da crescente democracia e inclusão social, é o país que ainda que aceita a homofobia televisionada de Levy Fidelix (PRTB), condena o goleiro Aranha por ter reclamado do racismo, assiste a programas que subjuga a mulher negra, prende o ator Vinícius Romão por sua cor e agride o roteirista Gregório Duvivier por sua posição política. Aqui os preconceitos são institucionalizados – veja bem, a ONU teve que nos alertar sobre o que sentimos na pele. Não é sobre o politicamente correto – é sobre novos temas a serem tratados, na imprensa, no humor, no nosso cotidiano. 

Brasileiros, Novembro 2014, Capa.

Reprodução/Capa.
Reprodução/Capa.

 

Por Luana Schabib

 

Defina dor. Tão humano sentimento, tão igual. Tente ter força em uma situação limite. Defina diferente. Defina cor.

Ele voltava para casa. Em sua cabeça, um black power bem levantado. Ele havia acabado de se formar em Psicologia e trabalhava em uma loja de roupas para sustentar sua nova busca – a atuação. Recentemente, havia feito figuração na novela da TV Globo Lado a Lado (2013), cujo enredo tratava da história de duas mulheres, uma branca e uma negra, vividas respectivamente por Marjorie Estiano e Camila Pitanga, que buscavam amor e liberdade na conservadora sociedade carioca do início do século 20. Que ironia.

O ator Vinícius Romão. Foto: Divulgação.
O ator Vinícius Romão. Foto: Divulgação.

Na ficção, ele se destacou como um ex-escravo. Negro, braços fortes, de beleza expressiva. Na rua, em fevereiro deste ano, Vinícius Romão, 29 anos, nascido no Rio Grande do Sul, também se destacou, só que dessa vez ao olhar de uma mulher que havia sido assaltada, de um policial à paisana e de outro homem de reação rápida. Morador do Méier, no Rio de Janeiro, foi abordado por aquele trio. Perguntaram-lhe se havia roubado uma bolsa. “Perguntaram”.

O jovem ator ficou parado – sem confrontar ou correr – sabia que o policial poderia dar um tiro. “Primeiro achei que estava sendo assaltado, depois vi a arma e pensei: ‘Chegou minha hora de morrer’. Não tem como descrever a sensação. Tudo poderia ter acabado ali.” Vinícius apresentou seus documentos, disse seu endereço e profissão, mas não bastou. A “certeza” da mulher foi o suficiente para que ele fosse levado para a delegacia. No 25º. DP, a Central de Flagrante, houve o diálogo definidor entre a vítima e o policial.

Ela disse: “Acho que foi ele”. O policial, incisivo, questionou: “Não tem nada de acho… Ou é ou não”. E então, ela afirmou: “Foi ele, foi ele”.

Em sua ficha passou a constar o artigo 157, que define assalto à mão armada. Vinícius não portava arma nem qualquer objeto da vítima. Um pesadelo. Ele deu seu depoimento atrás das grades. “Eles não registram nada. O documento que assinei estava com idade e profissão ignorados.” No dia seguinte, ligou para seu pai, Jair Romão, um militar aposentado, e foi levado à prisão de São Gonçalo. “Fui tratado como indigente. Cortaram meu cabelo e me jogaram na cela”. A família evitou falar com conhecidos, com medo de prejudicar o jovem, mas o silêncio provocou a preocupação dos amigos que, ao descobrirem o episódio, divulgaram nas redes sociais.

Vinícius ficou 16 dias preso. Emagreceu oito quilos. “Foi difícil de identificar como racismo no primeiro momento. Meu mundo era outro. Nunca tinha vivido o preconceito. Fui ignorado, fui preso porque sou negro – porque o cara que assaltou a mulher era assim. Então, não posso ter a minha identidade? Eu tenho que andar sempre arrumado para mostrar que eu sou alguém?”.

Anacronismo histórico

Essa história de Vinícius Romão remete à reportagem da revista Realidade, de outubro de 1967, assinada pelos repórteres Narciso Kalilli, branco, e Odacir de Mattos, negro. Com o título Existe preconceito de cor no Brasil, o texto escancarou o assunto de forma dura e direta.

Reprodução da Reportagem sobre preconceito da Revista Realidade.
Reprodução da Reportagem sobre preconceito da Revista Realidade.

Os jornalistas foram para as ruas de seis capitais– Belém, Recife, Salvador, São Paulo e Porto Alegre – durante 20 dias, simulando situações cotidianas fotografadas por Luigi Mamprin e Geraldo Mori. Narciso era acompanhado por uma moça negra, Odacir seguia com uma branca. Assim, mostraram a diferença do tratamento dado a um negro quando ele frequentava restaurantes ou simplesmente quando abraçava a namorada. Muitos olhares, risos e depoimentos foram registrados, como o de um comerciante, em Belém: “Aqui não existe preconceito, mesmo. Mas, essa história de casamento entre um escuro e uma branca é que ninguém gosta”.

A reportagem mostrou que no Brasil a igualdade racial só acontecia quando a situação financeira de um negro era igual à de um branco. Então, 47 anos depois, ainda é preciso a Organização das Nações Unidas (ONU) alertar que a situação é semelhante. No final de setembro, o órgão divulgou relatório que conclui que o racismo permeia todas as áreas da vida no Brasil, que vive em um “mito de democracia racial”, mas que há “racismo institucionalizado” e uma “ideologia de embranquecimento” na sociedade.

Segundo os dados apurados, a expectativa de vida entre os negros não passa de 66 anos, a dos brancos é seis anos maior. Sobre a polícia, a ONU alerta para a atuação que usa de critérios “baseados na cor da pele” dos cidadãos, assim como ocorreu com Vinícius, que hoje está desempregado e estuda teatro. “Nunca me senti diferente por ser negro, mas minha visão de racismo mudou. Hoje estou mais atento. Tenho uma página no Facebook que reúne pessoas com casos semelhantes. Dizem que somos uma folha em branco, para que a história seja escrita. Mas no nosso caso, a história já está escrita”, pontua o ator.

Congresso conservador

Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), enquanto a bancada trabalhista na Câmara dos Deputados teve redução de quase 50%, ficando com apenas 47 representantes, a bancada “evangélica” elegeu 80, crescendo 14% a partir do ano que vem (2015). Dos 513 deputados na Casa, 20 são ligados à área da segurança. Além disso, o Brasil elegeu, com grandes votações, figuras como o ex-militar Jair Bolsonaro (PP-RJ), que promete lutar pela anistia dos torturadores e pela redução da maioridade penal, com 464.572 votos; o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que é contra a criminalização da homofobia, com 211.855 votos; e o ruralista Luiz Carlos Heinze (PP-RS), que recentemente defendeu a formação de milícias rurais para exterminar indígenas, com 162.462 votos.

Isso tudo após as manifestações de junho de 2013 – movimento que clamou por “renovação política”.

Brasília, 17/06/2013 - Congresso Nacional. Foto: Mídia NINJA.
Brasília, 17/06/2013 – Congresso Nacional. Foto: Mídia NINJA.

Além disso, os negros continuam “sub-representados” no poder. Um paradoxo.

Neste ano, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou resolução, de número 23.405/2014, exigindo que todos os candidatos declarem sua “cor ou raça”. A medida mostrou que, dos 513 deputados federais que irão compor a próxima legislatura, apenas 22 são pretos e 81, pardos – somente 51 são mulheres. No Senado, dentre os 27 eleitos, cinco são afrodescendentes.

Hoje, os negros e pardos representam 55% do eleitorado, segundo pesquisa Gênero e Raça nas Eleições Presidenciais 2014: A força do voto de mulheres e negros, do Instituto Patrícia Galvão, divulgado em setembro, em parceria com o DataPopular, Ibope e Datafolha.

Números que indicam que, a partir de 2015, será um grande desafio discutir pautas como a legalização do aborto, a criminalização da homofobia ou a ampliação das políticas públicas inclusivas, já que teremos a representação mais conservadora desde 1964. Desafio para mais de um mandato.

A boa notícia é que tanto o Planalto quanto a ONU reconhecem os avanços na última década, como a implementação de cotas raciais na educação e no serviço público, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, a aprovação da Lei 10.369/2003, que institui o ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, além da criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR/PR), em 2003. As ações reforçaram a responsabilidade do Estado, para que casos como o do goleiro Aranha não sejam diminuídos.

Tem que ser forte, apesar de tudo

Márcio Lúcio Duarte da Costa, 33 anos, conhecido por Aranha, é mineiro de Pouso Alegre. Ombros largos, braços compridos, 1,93m, negro. Olhar fulminante, coerente. Hoje, se enfrentamento tivesse nome seria o do goleiro, que defende o Santos Futebol Clube. No final de agosto. Durante a partida contra o Grêmio, que perdia por 2 a 0, o jogador foi insultado por torcedores adversários, em Porto Alegre. “Me chamaram de ‘preto fedido, cambada de preto’… No futebol, sabemos que o torcedor quer desestabilizar o adversário. Mas existem leis”, declarou Aranha, após o jogo.

Goleiro Aranha denuncia a agressão da torcida. Foto: Reprodução.
Goleiro Aranha denuncia a agressão da torcida. Foto: Reprodução.

Como as câmeras registraram os gritos da torcida, foi fácil identificar os agressores, e entre eles estava Patrícia Moreira da Silva, 23 anos, que berrava: “MA-CA-CO”. Ela era auxiliar de um centro odontológico da Brigada Militar. Como sua imagem foi veiculada nos jornais, ela foi demitida. Pela agressão da torcida, o Grêmio foi expulso da Copa do Brasil. A família de Patrícia foi ameaçada, sua casa, alvo de vandalismo.

Patrícia era constantemente chamada de “menina”. Ela se defendeu dizendo que as palavras vieram no “calor do momento”. A mídia quis promover o encontro entre a agressora e a vítima. Aranha negou. Ele a perdoou, mas reafirmou a importância de ela responder na Justiça pelos seus atos. As críticas vieram na mesma proporção dos elogios a sua conduta.

Numa segunda partida contra o Grêmio, desta vez pelo Brasileirão, em setembro, a cena se repetiu. Aranha foi vaiado durante boa parte dos 90 minutos. Após a partida, cerca de dez repórteres o cercaram: “Aranha, mas você não acha normal as vaias?”.

Aranha respondeu: “Eu não ligo desde que seja do esporte. Mas a gente tem que deixar de ser hipócrita, porque todo mundo sabe que a vaia hoje foi diferente”. Insistiam: “Diferente por quê?”. E Aranha perguntou olhando para uma repórter: “Por tudo o que aconteceu no outro jogo. Você concorda com o que aconteceu?”. A repórter, com um sorriso nervoso, repetia que não tinha que concordar. E o goleiro disparou: “Você não tá nem aí, é isso?”. Ele se retira.

Até Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, chegou a condenar publicamente a atitude do jogador: “Se eu fosse querer parar o jogo cada vez que me chamassem de macaco ou crioulo, todos os jogos iriam parar. Quanto mais se falar, mais vai ter racismo”. Em entrevista dada à TV Folha, Aranha, que foi procurado pela reportagem da Brasileiros, afirmou: “Tem muita gente se manifestando contra a minha atitude, mas muita gente sofreu para que tivessem leis para nos proteger destes casos. Acho que a punição serve para ensinar.”

Segundo Adriana Eiko, conselheira (membro?) do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, esta violência tem desdobramentos e afeta a dimensão subjetiva “na constituição das identidades, tanto de quem sofre, quanto de quem perpetra a violência”. A psicóloga afirma que é importante estar claro que as manifestações culturais se desdobram a partir de contextos e a discriminação está presente em várias esferas sociais, por esta razão se faz fundamental “pensar o quanto que a gente vai se aliando intencionalmente com posições. Neste sentido, a piada, o chiste, acaba operando como uma quase autorização social para a desigualdade, quando esta expressão poderia chamar atenção de outros pontos que não prestamos atenção”.

 

Poderosos à margem

Entre os dois turnos do pleito eleitoral, Gregório Duvivier, 28 anos, um dos criadores do bem-sucedido Porta dos Fundos, decidiu revelar seu voto em sua coluna na Folha de S. Paulo – que publica de Janio de Freitas a Reinaldo Azevedo.

Terra Estrangeira, publicado no dia 13 de outubro, narrava as reações “antipetistas” de moradores do Leblon. Ele termina o texto bem-humorado dizendo: “Por essas e outras, poderia votar nulo – mas a militância de jipe e os comentaristas de portal não me dão essa opção. Se quem defende causas humanitárias e direitos civis é tachado de petista, não me resta outra opção senão aceitar essa pecha”. Isso foi publicado no mesmo dia em que a coluna de Xico Sá foi vetada pela redação do jornal, sob a acusação de “proselitismo eleitoral” – Xico também declarava voto em Dilma Rousseff (PT).

 

Gregório Duvivier explica a polêmica criada em torno do seu texto. Foto: Divulgação/Porta dos Fundos.
Gregório Duvivier explica a polêmica criada em torno do seu texto. Foto: Divulgação/Porta dos Fundos.

Logo, Gregório foi julgado em praça pública, ou melhor, nas timelines, e uma das críticas que recebeu foi do ator Dado Dolabella, envolvido em um processo de violência contra Luana Piovani, sua namorada na ocasião, em que foi julgado culpado. Dolabella afirmou que alguém apoiar Dilma é a mesma coisa que dizer que “está com ebola”, e que este cidadão é “digno de pena e reclusão da sociedade. Um marginal. Diante de tanta corrupção comprovada”. Constrangimento geral, já que a doença matou quase 5 mil pessoas nos últimos tempos.

“Nós, brasileiros, estamos pouco acostumados com democracia – e com a discussão de modo geral. O único lugar em que estamos acostumados a discordar é no futebol, e nesse ambiente as discordâncias são apaixonadas. Uma pessoa nunca mudou de time por causa dos argumentos do outro. Dá a impressão de que o brasileiro transportou esse fanatismo para a política”, pontua Gregório.

Na semana seguinte, após sofrer agressões verbais num restaurante no Leblon, Gregório escreveu uma nova coluna, mais ácida e irônica. No texto Chupa, Dado, ele mencionava motivos do atual governo ter piorado a sua “vida burguesa” e como ele era um “tucano before it was cool”. Gregório, então, foi ameaçado pelo irmão de Dolabella, dentro de seu perfil no Facebook. “Nossos leitores têm dificuldade com ironia e com entender um texto em suas diversas camadas. O jeito é insistir, assim como fazemos com a democracia”, comenta.

Semelhante desrespeito foi sofrido pelos brasileiros que vivem na região Nordeste – maior reduto eleitoral petista no País.

Ex-senador e delegado Romeu Tuma incentivando o ódio nas redes sociais. (Reprodução)
Ex-senador e delegado Romeu Tuma incentivando o ódio nas redes sociais. (Reprodução)

Um grupo que se intitulava “Dignidade Médica”, com 90 mil usuários no Facebook, foi um dos que disseminaram atrocidades – foram mencionadas técnicas de conquista de votos para Aécio Neves (PSDB) através da imposição (usando a hierarquia para constranger), até a loucura de propor a “castração química” e o “holocausto” de eleitores da petista.

Ao final do segundo turno, em que Dilma foi eleita com 51,64% dos votos – enquanto Aécio teve 48,36% –, novamente foi registrada a discriminação. Segundo dados do Twitter, entre meia noite e 21 horas do domingo (26), foram publicadas 3 milhões de mensagens relacionadas ao pleito e chegou a ser mencionada a “divisão do país”.

“O Brasil sai dessas eleições muito fragmentado, e com muito ódio. É urgente mostrar um espelho para o fanatismo ver o seu próprio ridículo. A função primordial do humor (neste cenário) é relativizar certezas, já que ela é a inimiga mais poderosa da verdade, já dizia Nietzsche”, pontua Gregório Duvivier.

 

Outros assuntos, outras narrativas

A ideia poderia ser boa, mas antes mesmo de estrear, sete denúncias foram encaminhadas ao Ministério Público. Como rir da manutenções de estereótipos?

Em setembro, a TV Globo lançou a minissérie Sexo e as Negas, com criação e direção de Miguel Falabella. O seriado faz uma paródia com o seriado norte-americano Sex and The City – no lugar de quatro mulheres ricas que vivem em Manhathan, as protagonistas são quatro trabalhadoras negras na periferia do Rio de Janeiro.

Tilde (vivida por Corina Sabbas), Zulma (Karin Hils), Lia (Lilian Valeska) e Soraia (Maria Bia) trabalham, respectivamente, como: operária, camareira, recepcionista em uma churrascaria e cozinheira em “casa de família”.

Foto divulgação da polêmica série de Miguel Falabella "Sexo e as nega". Foto: Divulgação/Globo.
Foto divulgação da polêmica série de Miguel Falabella “Sexo e as nega”. Foto: Divulgação/Globo.

 

Segundo Mara Vidal, uma das diretoras do Instituto Patrícia Galvão, entidade que discute mulher e mídia, o erro não foi apenas uma questão de abordagem: “As protagonistas são supersexualizadas e em papéis sociais subalternos”.

Falabella lançou nota sobre as críticas. Dizendo que foi uma questão de prosódia e que ele não colocou as personagens em outro cenário porque não é seu “universo na essência, como autor”. Mara argumenta: “Continuam nos ligando apenas a espaços periféricos, isso ajuda a ditar o que é tido como nosso lugar. Mas meu lugar é qualquer lugar. A TV consolida aquilo que dizem para gente toda hora. Muitas vezes vou ao aeroporto com uma amiga, que não é negra, e o olhar que lançam para mim é muito diferente do que lançam para ela. Eu me sinto fuzilada. Fico com raiva de mim porque esses olhares nos intimidam e, dependendo da situação, você não consegue fazer o enfrentamento. E olha que eu sou feminista, jornalista, estudo, já fui secretaria de Estado”.

Segundo Mara, o humor brasileiro nunca foi tão cruel. “E as pessoas se acham no direito de justificar isso dizendo: ‘Eu tenho um amigo negro’, ‘Minha empregada era como se fosse da família’. As pessoas vêem isso como a permissão de incorrer alguns erros graves que afetam a vida da população negra para o resto da vida. Muitas pessoas dizem eles não têm ideia de tudo isso, mas eu não posso acabar com a cidadania de alguém para conquistar a minha. Então, as pessoas dizem: ‘É só piada’. Mas existem outras piadas a serem feitas.”

Gregório completa: “O humor é uma arma, claro. E é preciso pensar antes de apontar essa arma a esmo. Tradicionalmente, os alvos do humor são os desfavorecidos. É bom inverter essa lógica perversa de repetição e pensar em novas piadas. O ideal é ir na contramão do ódio. Tentar fazer o humor de inversão de expectativa, que ao invés de confirmar os estereótipos, os subverte.”

Aceitar, dialogar, conviver, compreender. Verbos que exigem reflexão para os próximos dias, politicamente efervescentes. A presidenta reeleita – que em seu discurso da vitória defendeu o diálogo e refutou o argumento de que a eleição dividiu o país – terá que assumir o desafio. Já disse Dostoiévski: “Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais que todos os outros”.

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